domingo, 14 de dezembro de 2014

Novo patrocinador do Flu não quer interferir no futebol tricolor


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Nova Camisa do Fluminense (Foto: Reprodução / Twitter)

O telefone do empresário Neville Proa toca. Entre ligações da família e do trabalho, ele atende também a imprensa. Não se preocupa em confirmar nem mesmo o valor de R$ 14 milhões que investirá no Fluminense em forma de patrocínio nos próximos dois anos - o valor aumentará em quase 50% em sua segunda temporada de contrato. Sua intenção é só essa: ter a marca dos produtos da sua empresa Viton44 estampados na camisa tricolor, placas nos estádios e no campo das Laranjeiras. Se meter no futebol, jamais. Ligação política, nem pensar.

 

- Minha finalidade única é ter um bom visual a cada jogo nas camisas dos jogadores. Ou nas placas. A propaganda é cara, mas compensa - afirma.

O patrocinador não se confunde com torcedor. Neville é flamenguista daqueles que acompanha os jogos pela TV. Ir ao estádio não está e não esteve nos planos. Passou boa parte da vida longe do Rio de Janeiro servindo a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Rodou o Brasil. Reformado, apostou no ramo de bebidas, achou uma brecha no mercado com a venda principalmente de guaraná natural. Deu certo. 

 Encontrou no Botafogo uma boa forma de expor sua marca. Investiu cerca de R$ 25 milhões para ter o nome Guaraviton no espaço mais nobre da camisa, nas mangas e na parte de trás. Descobriu um mundo de bastidores no futebol que é agressivo. Ao jornal "O Globo", chegou a chamar de safados alguns dirigentes da antiga diretoria alvinegra. Mas está longe de reclamar do retorno que teve em termos de patrocínio.


- Dá um retorno bom, sim. Todo ano crescemos bastante. Esse ano já foi diferente do ano passado, houve um crescimento enorme. E tenho essa comparação de ano a ano subindo 30% a 40%, em termos de lucro - avalia.

O perfil é bem diferente do antigo patrocinador. Celso Barros estava longe de querer o mesmo distanciamento que Neville Proa pretende. Era figura comum no futebol tricolor. Marcava encontros com os atletas em churrascarias. Chegou a entrar no vestiário em um jogo contra o Bahia para discursar aos atletas. Pedia a vitória da equipe no Rio de Janeiro. Muitas vezes sua interferência incomodava grupos políticos dentro das Laranjeiras. Chegou a trocar farpas com Peter Siemsen quando Renato Gaúcho foi demitido.

Festa fred deco celso barros fluminense taça campeonato brasileiro (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
Era, muitas vezes, torcedor também. Participou da festa do título brasileiro no Engenhão, na partida contra o Cruzeiro. Tirou foto na sede do clube em 2010 após a conquista nacional daquele ano. Neville quer distância deste tipo de relação.

- Não tenho fanatismo, não - explica.

Política clubística não é a praia de Neville. Ele quer, única e exclusivamente, negociar valores de patrocínio, ver sua marca exposta e colher os frutos do trabalho de divulgação. Sabe, porém, que há nos clubes de futebol jogos de interesse e politicagem.

- No futebol é mais agressivo ainda isso - diz.

Talvez por isso queira o distanciamento. Mas e o que pensa sobre o futebol?

- Futebol é a alegria do povo brasileiro, só isso, mais nada. É atuante em todas as classes sociais.

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