Em busca de uma administração lucrativa e profissional, o Fluminense ainda encara muitos desafios em seu planejamento a longo prazo. Um dos principais para 2014 é a necessidade de buscar ou cortar de seus gastos R$ 36 milhões para evitar que o Tricolor encerre mais um ano no prejuízo e, assim, aumente sua dívida total.
O buraco de R$ 3 milhões por mês está previsto no orçamento produzido pela diretoria para este ano. O número não inclui a fatia inicial dos R$ 45 milhões que serão necessários para a construção do centro de treinamento da equipe em Jacarepaguá até a Olimpíada de 2016, prazo final para as obras.
O clube encara o orçamento negativo para o ano como algo normal e uma demonstração de transparência das finanças do Tricolor. A explicação é que o Fluminense não incluiu nestes dados iniciais receitas as quais não pode controlar diretamente, como venda de direitos econômicos de jogadores, por exemplo.
A venda de atletas pode ser justamente a principal das saídas do Tricolor para a saia-justa. Atualmente, o Fluminense conta com muitos jovens em seu elenco principal, mas sem grande destaque no momento. Nomes como Michael, Biro Biro, Keneddy e Marcos Junior são tidos como promessas, mas parecem ainda distantes de uma transferência milionária para o exterior.
"O orçamento que foi aprovado pelo Conselho Deliberativo tem um déficit elevado. O do ano passado previa um déficit de R$ 30 milhões, fechamos com R$ 3 milhões negativos apenas. Nosso orçamento é extremamente transparente e real. Não contém o que esperamos ter com transferência de direitos econômicos, por exemplo. Não sei quem estará valorizado lá na frente", explicou o assessor da presidência do Fluminense, Jackson Vasconcellos.
"A gente até poderia botar no orçamento uma previsão de R$ 40 milhões em vendas de atletas. Mas aí poderíamos chegar em dezembro e ter conseguido só metade disso. O Conselho diria que estouramos orçamento em R$ 20 milhões, mas não teria estourado e, sim, feito errado antes", justificou.
Além da venda de atletas, o Fluminense pretende zerar essa diferença entre arrecadação e gastos com corte de custos em geral, cobrança de valores a receber e melhora na sua gestão. Foi assim que, em 2013, o déficit inicial de R$ 30 milhões caiu para "apenas" R$ 3 milhões no balanço no fim do ano.
Nesse cenário, a construção do CT fica restrita a novos recursos além desses R$ 36 milhões que precisam ser arrecadados para equilibrar as contas do clube. A intenção é promover ações específicas para coletar recursos para o centro de treinamento, como promoções de ingressos e outras estratégias de marketing.
"O orçamento do CT apresentado pelo Pedro Antônio [Ribeiro da Silva, vice presidente de projetos especiais] tem esse teto de R$ 40 milhões. Precisaria dele em 2014 se a obra for executada toda nesse ano. Até 2016 [prazo para fim da obra] temos três anos para levantar esse dinheiro. A meta é zerar o déficit de 2014. Precisamos fazer isso e achar recursos para levantar o CT. É possível", encerrou Jackson, em tom otimista apesar da dificuldade da missão.
Na última semana, o Fluminense assumiu um novo custo inesperado no começo do ano. O Tricolor agora banca sozinho a comissão técnica de Cristóvão Borges, ao contrário do que acontecia com Renato Gaúcho, pago em grande parte pela Unimed Rio. O novo gasto gira em torno de R$ 300 mil, pouco mais da metade do que era pago no total à comissão anterior.
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