quarta-feira, 25 de março de 2015

Ricardo Drubscky é apresentado no Fluminense


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Ricardo Drubscky chegou às Laranjeiras em um dia bem agitado. Após uma organizada entrar na sala do departamento de futebol sem autorização da diretoria pressionando contra a chegada do novo treinador, o comandante do Tricolor comentou a desconfiança da torcida sob o nome dele e mostrou muita vontade de fazer o Fluminense dar certo sob o seu comando.

- Vejo isso com naturalidade. As oportunidades aparecem assim, as coisas vão acontecendo. A gente acaba vendo isso e vejo essa oportunidade como uma maneira muito tranquila. Já vi diversas histórias com treinadores que chegaram com rejeição. Qualquer treinador que chegasse aqui hoje, acho que teria uma certa rejeição. Estou com muita vontade de dar certo - disse.

Mineiro de Belo Horizonte, Drubscky chega para substituir o baiano Cristovão Borges. E no primeiro tempo ele já deu um cartão de visitas. Muito pilhado, gritou com os jogadores e gesticulou durante toda a atividade. E ainda falou sobre quem ele tem como referênca:

- Eu sou mais agitado, ansioso. O Cristovão é mais tranquilo, eu já sou mais ansioso. Eu tenho a minha identidade calcada em um grande tricolor e mineiro que é o Telê Santana. Estou no aconchego do Telê. Sou admirador, ele era um grande ídolo pelo estilo de jogo. É a escola brasileira de futebol. Priorizava o jogo jogado. E muita gente tem a imagem ruim do Telê, chamavam-o de rabugento. Sou um perfil Telê, me espelho muito nele. Estar a beira de campo vivendo o jogo, no treino vivendo o treino. Gosto de lidar com jogador. Adoro o futebol. Desde que me entendo por gente trabalho em futebol.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

DESCONHECIMENTO DA TORCIDA
Vejo isso com naturalidade. As oportunidades aparecem assim, as coisas vão acontecendo. A gente acaba vendo isso e vejo essa oportunidade como uma maneira muito tranquila. Já vi diversas histórias com treinadores que chegaram com rejeição. Qualquer treinador que chegasse aqui hoje, acho que teria uma certa rejeição.

FUNÇÕES NO FUTEBOL
Eu militei na gestão, mas há desde os 23 anos eu sou treinador de futebol. Com 38 eu treinei o Atlético-MG, fui para o lado da gestão e fiquei por lá oito anos. Não ser um ex-atleta me fez enriquecer muito. Estar a beira de campo é o que mais me dá prazer.

ORIGEM DO NOME
Meus avós maternos eram ucranianos e o nome é de origem polonesa. Meus avós maternos eram ucranianos e tenho muito respeito e carinho por esse nome. Eram pessoas que eu admirava muito.

PRESSÃO POR RESULTADOS
Não tenha dúvidas que o futebol funciona assim. Nós, a comunidade do futebol, não podemos apontar o dedo e achar culpados. A maneira como o futebol brasileira é feita, é assim. Temos que dar mais tempo ao trabalho, não se mede a qualidade de um trabalho pelas vitórias, mas sim pelo que ele faz no dia a dia. É preciso de tempo. As vitórias não vem naturalmente. É característica do futebol brasileiro. Nós todos, treinadores, dirigentes, a mídia especializada, precisa debater isso de forma mais profunda.

ACHA QUE VAI TER TEMPO NO FLUMINENSE?
Espero que sim. Acredito muito nesse elenco. Joguei algumas vezes contra esse Fluminense, o time mudou, mas tem muitos jogadores aqui. Não vou fazer nada do que os grandes treinadores do futebol brasileiro fizeram até hoje. O que vou tentar aqui vai ser isso. Tentar vencer. Não sou menino mais. Tenho muitos anos de futebol e o ar que se respira aqui é de muito interessa para que as coisas boas aconteçam. Acredito que vamos conseguir driblar essa marca ruim do futebol brasileiro em cima dos treinadores.

ESQUEMA TÁTICO
Eu pretendo que essa equipe seja equilibrada. Tem que saber defender, atacar e ser lúcida dentro de campo. Não dá só para ser ofensiva. Eu quero que a equipe do Fluminense seja argumentada em defender e atacar com equilíbrio. Meus treinamentos são sempre em prol de vencer os jogos, dentro e fora de casa. Vou aproveitar muita coisa que o Cristovão fez. É um excelente treinador. Não vou pegar um trabalho do zero. Ainda bem que o Cristovão estava aqui. As palavras sobre ele são muito positivas.

DISCUSSÃO ORGANIZADA COM O MÁRIO BITTENCOURT
Eu lamento, mas o que posso fazer nesse início de trabalho é pedir um pouco de calma ao torcedor. Temos vários exemplos de grandes treinadores que não conseguem bons resultados em grandes clubes. O futebol brasileiro é muito confuso nessa capacidade técnica de desenvolver seu trabalho. Peço que tenham calma, paciência que nós vamos fazer as coisas acontecerem. Esperem ver se a bola vai entrar, se o time vai ganhar. Vamos fazer um exercício de reflexão. A Alemanha agora é o exemplo a ser seguido. Eles começaram há 15, 20 anos fazendo esse trabalho. Nós aqui não temos 15 dias. Eu com 15 dias vou responder se o time já tem a minha cara.

TEMPO DE TRABALHO
Um ballet, para se apresentar no palco, demora seis, oito, dez meses para treinar uma coreografia. Nós, que temos um adversário do outro lado, temos 15 dias pra acertar tudo. Se a bola não entrar, está tudo errado. Aqui tem um camarada que chega com toda a vontade e tesão para fazer as coisas acontecerem. Não posso garantir que a bola vai entrar. Mas trabalho de qualidade isso vai ter. O torcedor pode ter certeza que no final nós vamos sorrir juntos.

JÁ COMEÇOU A PENSAR NO TIME
Já. Conversei com algumas pessoas aqui dentro e tenho uma maneira de pensar para colocar o Fluminense em campo. Lógico que esperamos vitórias. Espero que venha uma vitória na quinta com qualidade de jogo. Não vou fazer mudanças drásticas. Acredito que o trabalho feito vinha sendo bom. Que venham bons resultados e terminemos essa fase do Estadual classificados. Conto com o apoio do torcedor.

ESTILO
Eu sou mais agitado, ansioso. O Cristovão é mais tranquilo, eu já sou mais ansioso. Eu tenho a minha identidade calcada em um grande tricolor e mineiro que é o Telê Santana. Estou no aconchego do Telê. Sou admirador, ele era um grande ídolo pelo estilo de jogo. É a escola brasileira de futebol. Priorizava o jogo jogado. E muita gente tem a imagem ruim do Telê, chamavam-o de rabugento. Sou um perfil Telê, me espelho muito nele. Estar a beira de campo vivendo o jogo, no treino vivendo o treino. Gosto de lidar com jogador. Adoro o futebol. Desde que me entendo por gente trabalho em futebol.

WALTER PODE JOGAR COM FRED?
As vezes, para se colocar jogadores do elenco, os treinadores mudam suas ideias de jogo e fazem uma mistura na composição dos onze que estão no campo. O jogador sentar no banco no futebol brasileiro é considerado um absurdo. Na Europa, jogadores que ganham 400, 500 mil euros, ficam no banco por opção. Na minha ideia, vejo poucas possibilidade porque eles tem um estilo de jogo parecido. Posso fechar um jogo dessa forma, mas a minha ideia de jogo é usar um homem de área. Os dois juntos é meio complicado. Não vou martelar o sistema de jogo para atender o elenco. Walter vai ser muito útil para nós e o Fred nem se fala.

LIVRO "UNIVERSO TÁTICO DO FUTEBOL"
Eu tenho três filhos, já plantei algumas árvores pequenas e já escrevi dois livros. Eu tenho esse prazer de escrever, gosto de escrever. Acabo o treino e levo minhas reflexões. Vou construindo ideias e externo. Num determinado momento, consigo colocar isso. A primeira edição saiu em 2003, a segunda em 2014 e está indo muito bem, obrigado. Eu gosto de escrever e azar daquele que perde tempo lendo o meu livro (risos).

EXPERIÊNCIA COM OS MAIS JOVENS
A metade da minha carreira foi trabalhando com jovens. Trabalhei como treinador e gestor das categorias de base. Gosto disso. Tenhos duas Copas São Paulo, vários títulos nas categorias de base. Tem muitos jogadores, a nível europeu, que nasceram nas mãos da gente. O Fernando teve essa luz e espero poder contribuir com essa faceta e com esse lado de quem conhece o lado da base. Espero que espremendo esse caldinho, saia alguma coisa boa, quem sabe uma limonada.

DRUBSCKY
Drubscky. D-R-U-B-S-C-K-Y, espero que o torcedor do Fluminense me ajude a fazer eu virar um nome de expressão para que não fiquem perguntando como soletra e se fala meu nome. Tomara que aprendam.

FÉ E SUPERSTIÇÃO
Sou religioso e acredito muito na espiritualidade. O ser humano depende muito desse lado espiritual. O indivíduo não feito só de carne e osso. Me benzo mesmo, acredito mesmo, faço minhas orações e conversando comigo mesmo eu vejo que Deus está dentro de mim. Procuro me encontrar e me abençoar quando entro para o meu trabalho.

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