domingo, 12 de maio de 2013

Gerente revela filosofia e objetivos da base do Fluminense


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Fim de tarde em Bangu. O Fluminense acabara de golear o Flamengo por 3 a 0, no primeiro jogo da final do Campeonato Estadual Sub-20, quando o gerente geral das divisões de base do clube, Fernando Simone, atendeu a reportagem num já vazio gramado de Moça Bonita.

Bastante feliz com a atuação dos "moleques de Xerém" - como são chamados carinhosamente pela torcida - o dirigente parecia eufórico. Perguntado se estava daquela maneira pelo título praticamente assegurado, a resposta foi além e serviu para elucidar a filosofia do trabalho de formação de atletas da instituição.

- O time jogou bem e envolveu o adversário. Mais do que ganhar títulos nas divisões de base, é importante praticar um futebol de qualidade e, se possível, bonito. Hoje, conseguimos. Nosso time deu quase cinco vezes mais chutes a gol, o goleiro não tocou na bola e é essa performance que queremos.

Jogar bonito e ser o melhor formador do Brasil. A obsessão pela excelência é tamanha, que faz Simone salientar que o Flu não pode ficar satisfeito com o segundo lugar. Para isso, a estrutura humana precisa ser ideal.

- A gente quer ser o primeiro. Não interessa o segundo lugar. Queremos ter os melhores jogadores, os melhores técnicos, os melhores dirigentes, queremos estar acima, sempre na frente. Se não estivermos tem que ser por uma contingência e não porque não buscamos o primeiro lugar.

O Tricolor tem investido consideravelmente para chegar ao topo. Apenas na atual temporada foram duas viagens para o exterior. A primeira para o Qatar, quando os garotos conquistaram a Copa Al-Kaas, superando equipes como Real Madrid e PSG. Em seguida, participaram da Dallas Cup, nos Estados Unidos.

Neste domingo, os jovens do Fluminense partirão em nova excursão europeia e, durante 15 dias, passarão por Hungria, Holanda e Suécia, onde disputarão amistosos e torneios de juniores. O dirigente contou a importância deste tipo de viagem, vista como fundamental para o amadurecimento do atleta.

- Experiência. Para o jogador chegar lá em cima sabendo o que é o futebol mundial, o que vai encontrar lá fora, quais são os esquemas táticos praticados, conhecer outras culturas, outras pessoas, outro mundo. Para a formação do atleta, este tipo de viagem é muito importante. Estamos investindo muito dinheiro para dar essa formação melhor para os jogadores.

ATRASO TÁTICO NO PAÍS E A DIFERENÇA QUE FAZ A EDUCAÇÃO

Sobre um debate em voga na atualidade, Simone preferiu sair pela tangente ao ser questionado se o futebol praticado no país está atrasado taticamente em relação à nações como Alemanha e Espanha. Entretanto, admitiu compreender que há diferenças e no quesito formação, crê que a tradição da escola europeia, de ensinar os detalhes do jogo para os atletas ainda crianças, reflete em alguns resultados na própria base e possivelmente no futebol profissional.

- Não sei afirmar se estamos atrasados. A cultura tática do jogador da base é desenvolvida lá fora desde pequeno. Aqui é muito tarde. Você falar em duas linhas de quatro para nossos jogadores nos juniores é difícil. No infantil parece que você está falando grego. É difícil bater um time mais organizado taticamente. Felizmente, eles não têm a nossa qualidade, mas várias vezes perdemos porque os adversários são muito aplicados. Foi o que aconteceu em Dallas, quando a gente foi eliminado nas semifinais para o Fulham.

Ciente de que a disparidade no investimento educacional pode desequilibrar a balança favoravelmente aos europeus, Fernando Simone apostou na consciência prática - quando a atividade é melhor compreendida à medida em que é exercida - e terminou a conversa de forma divertida, lembrando que até hoje a referência no futebol mundial é o Brasil e nada de diferente no cenário global ocorreu para alterar a realidade de forma definitiva.

- O Brasil é uma escola de futebol. Eu não dou aula de matemática, português ou biologia. Eu dou aula de futebol, então não posso fugir da responsabilidade. Temos que trabalhar isso no dia-a-dia. Mostrar pra eles o que é o certo e o que é melhor taticamente. Aí sim vem o papel do formador. A gente começou a fazer isso no Fluminense há muito pouco tempo, desde o início da gestão Peter Siemsen, mas estamos pensando diferente. Leva um pouquinho de tempo pra gente conseguir chegar lá, mas chega. No mais, se a educação fosse tão fundamental para o futebol de qualidade, não seríamos pentacampeões, nem o Garrincha seria o melhor jogador do mundo para muitos.


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